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Meu Malvado Favorito: A necessidade brasileira de ter um bandido para chamar de ‘seu’

Meu Malvado Favorito: A necessidade brasileira de ter um bandido para chamar de ‘seu’
Foto: Divulgação

O juiz Sérgio Moro condenou, nesta terça-feira (13), o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, a mais de 14 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão é apenas mais uma no âmbito da Operação Lava Jato, porém é simbólica da enorme quantidade de políticos brasileiros que há muito se sabe da conduta e ainda assim se mantêm influentes durante muito tempo. Cabral não era o único envolvido em esquemas de corrupção. Não foi o primeiro. E sequer será o último. Ele é representante da lógica inversa – e perversa – do brasileiro em ter um “malvado favorito”. O memorável jantar em Paris, quando guardanapos se transformaram em chapéus e o ex-governador celebrava a amizade com alvos de inquéritos, é um exemplo da memória curta dos eleitores. O peemedebista fez seu sucessor no Palácio da Guanabara e, até ser preso pela Lava Jato, ainda mantinha influência dentro do PMDB. Pego para "cristo", Cabral, todavia, deve ser somente simbólico. Há malvados favoritos das mais variadas estirpes e castas políticas. O mensalão descortinou o PT – apesar de ser negado por correligionários. A Lava Jato retirou os ares incólumes de outras legendas, como PSDB, PP e PSD, entre outras. Como a Justiça Eleitoral deu um exemplo não muito positivo quando absolveu a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer por excesso de provas, não seria muita surpresa identificar que a baixa eficácia da fiscalização das contas das siglas incluiria toda a sopa de letrinhas que se transformou a política partidária brasileira, com seus 35 registros. Cabral, frise-se, não é diferente das centenas de representantes políticos eleitos a cada dois anos para câmaras de vereadores, assembleias legislativas e para o Congresso Nacional. Enquanto maioria expressiva dos políticos se mistura no lodo que permeia o cenário, é possível assistir a dicotomia dos "nós" contra "eles", que inocenta quem tem seu apoio e condena o lado contrário. Cada um escolhendo um malvado favorito. Ou, no mínimo, um bandido para chamar de “seu”. Esse trecho faz parte do comentário para a RBN Digital, veiculado às 7h, com reprise às 12h30.  


por Fernando Duarte

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