A repórter da TV Globo Beatriz Oliveira Reis denunciou ter sido vítima de racismo após um mês morando em Belo Horizonte. A jornalista veio trabalhar na sucursal global em Minas Gerais após trabalhar um ano e meio na Rede Bahia, em Salvador.
Beatriz Oliveira relatou o preconceito sofrido por meio de uma publicação no Instagram. No texto, ela descreveu a tristeza em passar pela situação e recebeu o apoio de colegas de trabalho, amigos, familiares, assim como de fãs.
"Na Bahia, o racismo nunca me alcançou. Em outra região do país, ele se materializou na minha frente com apenas um mês de moradia. Um soco no estômago. Uma ruptura. A lembrança brutal de que, para nós, há lugares onde a cor da pele chega antes da nossa história, da nossa formação, da humanidade", escreveu.
"Não precisei de muito para entender o que estava acontecendo. Reagi. Firme. Mas, quando fechei a porta do apartamento que escolhi para morar, desabei. Naquele momento, vivi aquilo que tantas vezes li, ouvi e pensei sobre ser uma mulher negra de pele clara. Tenho possibilidades. Mas nunca tive privilégio", continuou.
De acordo com a repórter, uma das armadilhas mais perversas do racismo é fazer com que a vítima se questione, por vezes, se tem o direito de chamar de violência aquilo que a feriu. Ela também confessou que pensou em recuar, ou mesmo escolher uma outra região da cidade para morar.
"Até que olhei para trás. Lembrei da minha mãe, que limpou tantos chãos para que eu pudesse chegar até aqui. Lembrei do meu pai, que tantas vezes empunhou enxadas para abrir caminhos que não estavam prontos para nós. Lembrei dos meus avós, que não puderam viver sonhos porque precisavam sobreviver", disse.
"Então compreendi: recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída. Um anjo que a vida colocou no meu caminho me disse: “Não haverá recuo.” E o eco ressoa: não haverá", finalizou.
