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Causa da morte de garimpeiros, uso de bomba caseira cresce em Sento Sé


Vítimas usaram dois explosivos para tentar retirar ametistas, mas um só estourou quando entraram em poço. Polícia diz que explosões se intensificaram há um mês
O uso de bombas caseiras para penetrar em rochas profundas na mina de ametista em Sento Sé, na região do Vale do São Francisco, tem se tornado cada vez mais comum entre os garimpeiros que há quatro meses exploram o local.
Foi uma dessas bombas que causou a morte de Ivanilsom Bezerra da Silva, 22 anos, e João Martins Cordeiro Filho, 35, na noite do último domingo, informou nesta terça-feira (22) a Polícia Civil da cidade.
Os corpos dos garimpeiros foram levados para Petrolina (PE), onde residiam, e foram enterrados nesta terça.
A perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT) esteve nesta segunda no poço de 15 metros onde ocorreu o acidente e colheu vestígios do uso das bombas – os detalhes não foram informados.
No local, os peritos obtiveram informações de que o uso das bombas passou a ser intensificado há um mês com a dificuldade em se achar a pedra, devido ao aumento da exploração.
No acidente, os garimpeiros haviam jogado duas bombas dentro do poço e apenas uma havia explodido, tendo eles achado que a outra não iria mais explodir. Ao descerem no poço, houve a segunda explosão. Ivanilsom morreu na hora e João, no hospital.
A Polícia Civil informou que o fato já foi comunicado ao Exército, responsável por fiscalizar o uso de explosivos. Procurado pelo CORREIO, o Exército não respondeu.
A Agência Nacional de Mineração, que já interditou a mina, em junho deste ano, declarou que não tem como controlar o acesso de garimpeiros no local, devido à grande quantidade de pessoas.
De acordo com a agência, na área de 253 hectares do garimpo há 6.457 poços de retirada de ametista – nem todos eles ativos –, e 2.270 barracas usadas por garimpeiros. 
Cerca de 8 mil pessoas estão no local em busca da pedra violeta de quartzo cujo quilo é comercializado por garimpeiros, na região, por valores entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, e que atravessadores vendem por até R$ 10 mil o quilo.

(Foto: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO)

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