Ler 12 livros por ano pode ajudar os funcionários do Grupo Cometa a receber o equivalente a um 15º salário. A meta de leitura é um dos critérios para participar do programa de participação nos lucros e resultados (PLR) da empresa, que tem sede em Cáceres, no Mato Grosso. A depender do desempenho da companhia, o pagamento extra pode equivaler a um 14º ou até a um 15º salário.
Segundo reportagem da revista Exame, a regra prevê a leitura de um livro de pelo menos 200 páginas por mês e a entrega de um resumo ao departamento de recursos humanos. Em um ano, são pelo menos 2.400 páginas. Para abastecer o programa, criado há cerca de 20 anos, o grupo instalou bibliotecas nas concessionárias e reuniu mais de 11 mil títulos em um acervo físico e digital. A empresa afirma gastar cerca de R$ 65 mil por ano com a compra e a manutenção das obras.
Com a popularização de ferramentas como o ChatGPT, a entrega dos resumos ganhou uma etapa de verificação. Segundo o fundador do grupo, Francis Maris Cruz, a empresa passou a usar um software para tentar identificar textos produzidos com inteligência artificial.
De função de apoio a CEO
A leitura também faz parte da estratégia de preparar funcionários para cargos de chefia. Segundo Francis, quando surge uma vaga de gerente, a empresa procura primeiro entre os próprios trabalhadores. A busca no mercado começa se o grupo não encontrar alguém preparado para assumir a função.
“Essa base da leitura ajudou muito os nossos líderes a se formarem e crescerem”, diz o fundador.
O atual CEO, Cristinei Rodrigues Melo, entrou no grupo ainda adolescente, em uma função de apoio semelhante à de office boy. Segundo Francis, ele está na empresa há cerca de 35 anos. Outro executivo começou vendendo consórcios de porta em porta antes de chegar à diretoria.
