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Ministério identificou milícia armada envolvida na morte de indígenas na BA

23 de jan. de 2024


 Uma milícia armada composta por policiais militares estaria envolvida nos assassinatos de indígenas no extremo sul da Bahia. Em nota conjunta, a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Estado da Bahia e o Ministério Público Federal afirmam que um Gabinete de Crise foi instalado para acompanhar os conflitos na região e identificou a atuação dos grupos armados no local.

Segundo a nota, durante as reuniões do Gabinete de Crise, o Governo do Estado negou solicitações de lideranças indígenas da região para a utilização de equipes da Força Nacional. Segundo os órgãos, o governo assegurava que a força de segurança local era capaz de conter a violência, mesmo ciente do envolvimento de policiais militares episódios de violência.

Os órgãos afirmam que o governo estadual lançou, em março de 2023, o Plano de Atuação Integrada de Enfrentamento à Violência contra Povos e Comunidades Tradicionais, com foco na região Sul. No entanto, segundo a nota, o plano foi feito sem a participação dos órgãos que atuam na proteção dos povos tradicionais, ignorou sugestões de lideranças indígenas e se mostrou insuficiente no combate à violência.

Também em março, o Fórum em Defesa das Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais enviou uma carta ao presidente Lula narrando o histórico de conflitos e violência que afetam as comunidades indígenas no sul da Bahia. Além da carta, foram encaminhadas 50 proposições para as autoridades, incluindo a criação de uma unidade especializada para a investigação de caso envolvendo povos e comunidades tradicionais e a formação de uma força de segurança especializada para o monitoramento das regiões de conflito.

Os órgãos solicitam reunião em caráter de urgência com o governo do estado para apresentar propostas que garantam a efetividade da proteção aos direitos Populações Indígenas e demais Povos e Comunidades Tradicionais, em busca da pacificação em território baiano.

A Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, visitou a região nesta segunda-feira (22) para acompanhar a investigação do ataque à Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu. A comitiva esteve no Hospital Costa do Cacau, em Ilhéus, onde visitou os oito indígenas feridos no conflito. Em seguida, o grupo seguiu para a aldeia no município de Pau Brasil.

O MPI afirmou em nota que acompanha o caso desde o recebimento das primeiras informações e está fazendo interlocuções com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), incluindo diretamente a Polícia Federal (PF), com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Secretaria de Segurança da Bahia. Representantes do Ministério também estão em contato com a Coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia, para garantir o cuidado com os feridos.

Governo do estado convoca reunião para apurar o caso

O governo do estado afirmou em nota que uma reunião entre o governador do estado Jerônimo Rodrigues e parte do secretariado foi convocada na noite do último domingo (21). A nota afirma que as investigações dos crimes estão em curso e envolvem equipes de departamentos como o de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Coordenação de Conflitos Fundiários (CCF).

Segundo o governo, dois fazendeiros foram autuados pela morte de Maria de Fátima Muniz de Andrade, indígena da etnia Pataxó e da tentativa contra o cacique Nailton Muniz Pataxó e outros indígenas. A Polícia Militar apreendeu armas de fogo, carregadores e munições com os ruralistas. Flechas e foices também foram recolhidas pelas equipes e apresentadas na Delegacia Territorial (DT) de Itapetinga de onde foram encaminhados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT). O policiamento foi reforçado na região.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) se pronunciou por meio do presidente da entidade, Humberto Miranda. O órgão lamentou o caso do último domingo e afirmou que vem atuando nos últimos anos no combate a invasões de terras.

Segundo a nota, a FAEB enviou ofícios aos poderes alertando sobre o perigo iminente de conflito e solicitou medidas enérgicas e efetivas no campo. O órgão orienta os agricultores a atuarem na defesa dos seus interesses dentro dos limites da lei, sem violência de qualquer espécie.