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Abandono de profissionais do Mais Médicos prejudica a atenção básica


Pacientes na USF que funciona no bairro do Lobato - Foto: Gilberto Junior | Ag. A TARDE
Em artigo publicado na edição impressa do Jornal A TARDE desta quarta-feira, 17, o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, afirma que a atenção básica está à beira de um colapso e coloca a desistência de profissionais do Programa Mais Médicos (PMM) como agravante a esta situação.

“Houve um entusiamo em novembro e dezembro, no lançamento do programa. Teve uma euforia mostrando que os brasileiros tinham capacidade de substituir os 8.517 médicos cubanos que deixaram o programa, mas já sabíamos que iriam abandonar mais adiante”, destacou o titular da Sesab.
O secretário ressaltou que estudos sobre fixação profissional, como o realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2018, mostram que os médicos recém-formados são os que mais abandonam o PMM pela residência médica.
Este ano, 1.052 médicos abandonaram o programa no País. No Nordeste estão concentradas 40% das desistências, apontam dados do Ministério da Saúde (MS), citados pelo secretário.
“O Mais Médicos foi criado por reconhecer a dificuldade de conseguir alocar médicos brasileiros nas regiões mais pobres do País, justamente as que sofrem com o maior percentual de abandono”, disse Vilas-Boas.
Prejuízo
No artigo, o secretário informa que o “Ministério da Saúde, em seu último edital de renovação de bolsa dos médicos que atuam no PMM, excluiu os municípios das regiões metropolitanas e as capitais. Com isso, a nossa sofrida atenção básica de Salvador já perdeu 38 médicos e perderá os outros 102 em pouco tempo”.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) para confirmar os dados citados pelo secretário estadual. Por meio de nota, a SMS disse que “não procede a saída de 38 médicos da rede municipal. Este ano, até abril, 19 médicos se desligaram do PMM”.
A nota também informa que, em janeiro de 2013, Salvador ocupava o último lugar em cobertura de atenção básica entre as capitais brasileiras e teve um salto de 18% para a marca de quase 50% dos soteropolitanos assistidos pela saúde básica. O documento informa ainda que “atualmente, 89 médicos do PMM atuam na rede básica de atenção em 51 unidades de saúde”.
Solução
A estadualização do PMM foi a medida defendida por Fábio Vilas-Boas para resolver a crise do programa. “Defendemos a estadualização do programa. O governo federal iria transferir os recursos para os estados e iríamos buscar os médicos brasileiros formados no exterior para trabalhar durante dois anos na atenção básica nos municípios”, explicou.
O secretário argumentou que caberia aos estados estruturar um programa de complementação na formação dos médicos recém-formados no exterior, com um programa de formação continuada, com duração de dois anos, com provas e avaliações periódicas. “Ao final deste período, revalidaríamos o diploma desses médicos pelas universidades estaduais. Estamos trabalhando por isso”, concluiu.

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