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Fotolivro mostra vaqueiros durante caçada de bois no sertão da Bahia



Para aumentar a chance de sobrevivência de seus animais, vaqueiros da região do Raso da Catarina, no norte da Bahia, soltam o gado na caatinga. Eles só voltam a procurá-los depois de pelo menos dois meses, mas podem ter que esperar até cinco anos para encontrar seus bois e vacas de novo.
“Essa não costuma ser a atividade principal deles. Para muitos, é como uma poupança: precisando de dinheiro, saem para recuperar seu animal e vendê-lo”, explica o fotógrafo baiano Rui Rezende, 40. Ele lançou em novembro o livro “Vaqueiros do Raso da Catarina” (editora P55, 156 págs., R$ 120), produzido ao longo dos três anos que acompanhou as caças.
Nessas viagens, Rezende chegava a acampar cinco dias com grupos de 30 a 40 vaqueiros de cidades como Paulo Afonso e Jeremoabo. As saídas costumam acontecer aos domingos. Alguns vaqueiros viajam 80 km a cavalo até o lugar do acampamento. Lá, passam os dias caçando o gado e, com sorte, recuperam algumas cabeças.
Apesar do calor, os vaqueiros usam roupas de couro grosso para se protegerem dos espinhos da vegetação.
Os animais são identificados por meio de cortes nas orelhas, diz Cícero Félix, diretor da Ufob (Universidade Federal do Oeste da Bahia), em Santa Maria da Vitória, que assina os textos do volume.

Não é raro, segundo ele, que os vaqueiros sejam confundidos com caçadores de araras-azuis-de-lear e de tatus, comuns na região. “O raso é uma reserva ambiental. Por isso, devem antes pedir autorização para procurar o gado”, afirma Félix. O livro está à venda no site do fotógrafo.

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