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Trabalhadores em situação similar à escravidão são resgatados na BA

Cinco cortadores de eucalipto em condição similar à escravidão foram resgatados de uma fazenda, no município de Angical, na região oeste da Bahia.
O fato aconteceu na segunda-feira (16), durante uma operação na região. De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia (SRTE/BA), os homens recebiam apenas R$ 230 por mês, e não tinham carteira de trabalho assinada. Os trabalhadores embolsavam de R$ 2 a R$ 10 para cada metro de madeira cortada.
Segundo o SRTE, os trabalhadores moravam em um alojamento precário, sem água, energia elétrica nem banheiro durante cinco meses. O grupo usava a mata para fazer necessidades fisiológicas, dormiam em camas improvisadas e cozinhavam à lenha.
Ainda de acordo com o órgão, os homens também não tinham equipamentos de proteção para o trabalho, já que eles usavam motosseras,  nem tinham alimentação adequada, e, por isso, se alimentavam a base de carne conservada em sal.
Conforme o SRTE, a fazenda é de posse da empresa Agropecuária Vallas, e fornecia madeira para frigoríficos e padarias da região. Na propriedade, foram encontrados cadernos contendo anotações sobre a quantidade de madeira cortada e quem comprava.
Depois da operação, os trabalhadores resgatados foram levados de volta para casa, na cidade de Barreiras, também no oeste do estado. Eles receberão três parcelas de seguro desemprego, além dos direitos trabalhistas e compensações de até R$ 20 mil, segundo o SRTE. Os trabalhadores também terão assistência social da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social.
Audiência
De acordo com o SRTE, na quinta-feira (19), o representante da fazenda não foi à audiência que foi marcada para que ele assinasse a carteira de trabalho dos cortadores de eucalipto, e pagasse todos os créditos trabalhistas.
Segundo o órgão, o Ministério Público do Trabalho ingressou com ação civil pública pedindo uma indenização no valor de R$ 700 mil, e solicitou à Justiça do Trabalho a desapropriação da fazenda, por estar sendo utilizada para fins ilegais.
Os relatórios de fiscalização serão enviados ao Ministério Público Federal e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para que investiguem os crimes.
Operação
De acordo com o STRE, ao todo, quatro empregadores foram fiscalizados entre o dia 15 de abril e esta sexta-feira (20). As demais empresas fiscalizadas estão em Correntina e em Barreiras, também no oeste. Os auditores-fiscais do trabalho atuaram ainda às proibições das moradias irregulares e lavraram mais de 30 autos de infração.

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