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Brasileiro residente na Flórida mostra os estragos após passagem do Furacão


Os momentos de tensão passaram nesta segunda-feira, 11, para quem esteve no raio de alcance do Furacão Irma, como o brasileiro Kênnio Silva, de 46 anos. Exceto, nas imagens gravadas com o celular nas quais ele mostra como ficou o jardim de sua casa, em Pompano Beach, cidade ao sul da Flórida (assista vídeo abaixo).
Por lá, o Irma chegou com menor intensidade e mesmo assim causou estragos como queda de duas árvores e alagamentos.
Telefones funcionando parcialmente, às vezes demorando para completar ligações ou caindo no meio delas, ainda fogem à normalidade, segundo Silva.
Monitorando os fatos mais precisamente a partir da quarta-feira, 6, Silva relata que o alerta de furacão o fez entrar na corrida aos supermercados e postos de gasolina. Nos primeiros, deu de cara com prateleiras vazias.
Varanda da casa antes e depois da passagem do furacão. (Foto: Arquivo Pessoal)
Já os últimos, demandaram filas em busca de combustível para o caso de ele querer participar da evacuação, que acabou não sendo necessária.
“Pão, frutas, água, não encontramos mais. Gasolina, só na fila, quando se achou”, relatou, logo após publicar fotos nas redes sociais da instalação dos plywoods , feita por ele e o amigo chileno Daniel Nunez.
“Combinamos de instalar juntos, na minha casa e na casa dele”, completou Silva, referindo-se ao tipo de proteção que lembra tapumes afixados em janelas, varandas e portas.
Filas foram formadas nos postos de combustíveis para conseguir abastecer os veículos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Vizinhança solidária
“Normalmente, aqui a gente não se encontra com a vizinhança, mas nesses momentos todos são solidários. Os vizinhos vieram dar número de telefone e pedir os nossos”, relatou.
Enquanto gravava fotos e vídeos, o brasileiro manteve-se em alerta, de olho no trajeto do furacão. “Ele nasceu perto de cabo verde, no Atlântico, e segue uma linha horizontal, indo para oeste. No caminho fica Barbados, Ilhas virgens, tal, tal”, reiterava, em uma publicação enviada pelo watssapp na sexta-feira.
Ao replicar as notícias locais, anunciando o que parecia óbvio no que se refere à solução para situações de emergência, como a provocada pela passagem do Irma, ele tinha a intenção de retratar a adrenalina provocada no exato momento: “O jornal não para aqui. Voos para Flórida cancelados, pacotes para parques também”, repetia.
Nesse ínterim, acrescentou a própria tentativa de dimensionar a situação: “Eu procurei, ontem (na sexta-feira), um voo. Só para ter uma ideia, não havia nenhum. Nem saindo do aeroporto de Fort Lauderdale, nem de Miami ou West Palm Beach”, informou.
Indagado sobre o motivo para ter preferido ficar em Pompano, em vez de seguir para as cidades fora do alcance de uma catástrofe, o brasileiro explicou ter reunido informações do site que monitora o tempo.
Conseguiu assim, acompanhar as informações obtidas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA na sigla em inglês), lançada todos os dias em um avião especial que voava ao redor do furacão para monitorar o rumo e a forca dos ventos.
Abrigo em casa
Juntando informações dos especialistas, reportagens, dados do tempo e monitoramento das estradas, Silva decidiu permanecer. “Vi que a melhor opção seria ficar em casa, porque me preparei para isto. Quando o furacão chegasse em Cuba seria o ponto de decidir porque lá, provavelmente, ele faria uma curva, mas não se sabia para onde”, explicou.
“A previsão era de vir para cá direto, na Costa Leste da Flórida, que é onde estou. Da chegada em Cuba até aqui ainda teria um dia de prazo para tomar alguma atitude. Mas em Cuba, ele virou para o oeste da Flórida. Então, já ficou mais tranquilo para permanecer aqui”, completou.
Acompanhando o movimento nas estradas, Silva entendeu que seria perigoso sair de Pompano para outra cidade com estradas congestionadas. “Quando o furacão começou a vir para a Flórida, quem foi para Tampa, Fort Myers, Naples, cidades que ficam na costa oeste, voltaram para cá. Ou foram para Fort Lauderdale e cidades próximas, na Costa Leste, uma vez que o Irma virou para lá", relatou.
A esta altura, tomando Orlando como exemplo, a viagem até essa cidade famosa pelos parques de entretenimento tinha aumentado de 3h para 5h30. Para sua alegria, Kênnio Silva não precisou ficar muito tempo impedido de sair de casa. Tivesse sido esse o caso, não teria conseguido acumular mantimento bastante para um isolamento prolongado.
As prateleiras do mercado do bairro ficaram praticamente vazias. (Foto: Arquivo Pessoal)
“Enlatados sumiram também. Eu já tinha uns, mas ainda encontrei o que precisava no supermercado. Era pouco, peguei o achei, peito de frango. Em casa, já tinha carne no tempero, arroz, feijão, água, pizza”, revelou.
Desde que deixou a Bahia e foi para os Estados Unidos, Silva não tinha experimentado tão de perto a ameaça de um furacão desse porte. Nesta segunda-feira, 11, aliviado pela volta à normalidade, Silva finalizou: “Tudo tranquilíssimo”.

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